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PORTUGUESE VERSION - Official Dinner - Cape Verde

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Discurso por ocasião do jantar official oferecido por
sua Excelência Pedro Verona Rodrigues Pires
Presidente da República do Cabo Verde

Ilha do Sal (Cabo Verde)
Sexta-feira 23 de abril de 2010

A SER VERIFICADO COM O DISCURSO

Antes de tudo, gostaria de agradecer a V.Sa. Senhor Presidente, de sua tão calorosa acolhida no Cabo Verde.

Não poderia desejar uma melhor maneira de terminar essa turnê do continente dos meus antepassados.

Aqui, no meio dessas ilhas que formam o arquipélago do Cabo Verde, expostas aos ventos e onde se cruzam as rotas marítimas transatlânticas, tive o prazer de concluir essa terceira viagem à África que me levou das suas costas ocidentais ao seu coração, do Senegal a Ruanda, passando pela República Democrática do Congo.

Essa África, onde efetuei minhas primeiras visitas de Estado em 2006 como Governadora Geral do Canadá, na Argélia, Mali, Gana, África do Sul e Marrocos.

Essa África onde voltei o ano passado, mais precisamente para a Libéria, convidada pela primeira mulher do continente a ser eleita como Chefe de Estado, Sua Excelência Ellen Johnson Sirleaf, para participar de um colóquio internacional sobre o fortalecimento das capacidades das mulheres.

Essa África de todos os desafios, de todas as misérias, um continente onde descubro riquezas e possibilidades, tão diferente da visão pessimista que nos dão frequentemente.

Essa África, cujo renascimento se encarna mais do que nunca nas mulheres, nos homens e nos jovens da República do Cabo Verde.

Senhor Presidente, ouvi dizer que cantar é como uma segunda natureza para os caboverdianos, que a música é a sua maior riqueza e que Cesária Évora é a voz do seu coração.

Dona Cesária, Cize como se diz aqui, saiba que a delegação canadense que me acompanha e eu mesma nos sentimos honrados com a sua presença entre nós. Você que sempre amamos tanto, nossa diva dos pés descalços, e que amaremos por toda a eternidade.

Você disse um dia, e cito, que “o que me alegra é saber que passei anos de sofrimento para hoje pode ter a vida que tenho.”

Essas palavras inspiradoras evocam não somente o vosso percurso, mas também o do seu país, desde o tráfico dos escravos – como lugar de trânsito – até à independência, e aos tempos atuais.

Como mulher negra, nascida no Haiti – um país que sofre enormemente esses dias – cujos antepassados se liberaram da escravidão e estabeleceram a primeira república negra no mundo, sou consciente da luta que vocês disputaram para conquistar a vossa liberdade.

Por ter atravessado um período de tanto sofrimento, o Cabo Verde é hoje em dia uma fonte de inspiração e esperança para todos.

Um pequeno país insular, sem riquezas naturais e sem água doce, o Cabo Verde passou da categoria de países menos avançados à dos países de renda média.

Isso tudo, investindo no que V.Sa., Senhor Presidente, chama de “seu capital humano” , incluindo a educação e a inovação, ou seja, as ferramentas mais poderosas para engajar a juventude no caminho da prosperidade.

O Cabo Verde é uma das democracias mais estáveis da África. E está rompendo o ciclo da pobreza. Por sinal, é um dos raros Estados africanos  prestes a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Eis aqui ma realização admirável e que merece ser reconhecida por todos.

 “O segredo, se é que ele existe – V.Sa. nos confiou – é ter tido confiança em nós mesmos.”

O Canadá partilha com todos os caboverdianos essa confiança sobre as suas capacidades para assumir o pleno controle do seu destino.

Como membros da Organização Internacional da Francofonia, e desejando promover a causa francesa no mundo,  partilhamos os mesmos valores, especialmente o da igualdade dos gêneros.

Nesse sentido, eu tive o prazer de tomar conhecimento que o Cabo Verde é um líder na representação política das mulheres. Me disseram que elas ocupam quase a metade dos cargos ministeriais, incluindo o da Defesa e da Justiça.

V.Sa. Senhor Presidente declarou recentemente que “devemos fazer prova de maturidade, comprometimento e audácia”.

Essas palavras estão repletas de esperança para o futuro do Cabo Verde, e a elas eu gostaria de adicionar um voto:

Que essa “terra pobre chei de amor”, que essa “terra sabe choi di amor”, como você canta tão bem, D. Cesária, nesse “petit pays” (pequeno país), “la na cêu bô ê um estrela ki cata' brilha”, ou seja, lá no céu uma estrela que brilha, guie a África em direção de tempos melhores.